quarta-feira, abril 04, 2007

Bem, já que esse é o intuito do blog vai aí um texto que já tem algum tempo.
------------------

Noite. Nas ruas tocava Pixinguinha. Tocava grande, com um eco e uma amplitude únicos, e a cidade se sentia velha. Suas ruas vazias faziam dela algo uniforme e só. Solitária. A música se mantinha agora mais baixa, mas persistente, e ela [unida ao cheiro do calor abafado
fazia da cidade um corpo estranho, benevolente, acolhedor e melancólico. Os lugares queriam ser o que não eram ou o que já haviam sido.
As esquinas tinham saudade das vozes roucas e dramáticas, se estremeciam lembrando dos amores furtivos narrados naquelas canções.
Os viadutos sentiam nesse momento um vento frio, e pediam aos céus que ele trouxesse os bêbados e vagabundos com a viola debaixo do braço.

*

A cidade é nesse instante um observador atento, e percebe que há cachorros que só os são por ser noite. Durante o dia talvez sejam comerciantes, taxistas, cobradores, padres ou até banqueiros, mas a noite os obriga a ser cachorros: matusquelas, sarnentos. São eles parentes da cidade, e ela lembra, então, de quando os cachorros noturnos sempre eram acompanhados por uma poesia maltrapilha [e por um poeta ainda mais maltrapilho.
E se ela se levantasse?
A cidade quer se levantar. Seu corpo formiga. Suas pernas tremem.
A cidade quer sair, conhecer o mundo. Ela quer caminhar no tempo e nas palavras.
A cidade quer escrever.
[e agora sinto que ela usou minhas mãos.

*

A cidade permanecia lá, imóvel, colada na noite e nos mendigos e nos cachorros que cedem seus corpos para acalentar a cidade.
Fosse por vontade dela e a noite nunca acabaria, mas ela tem que se alimentar. E se alimenta do caos. É isso que mantém a cidade viva. O dia serve então para trazer o caos que alimentará a cidade para que ela possa viver outra noite, onde ela só [acompanhada do eco da música
sonha e imagina e lembra e viaja, e esses sonhos, imaginações, lembranças e viagens alimentam a cidade, e a mantém viva para o dia e o caos.
A cidade.

Gobby

Hmmm, isso não vai ser exatamente um texto literário, mas logo depois de ler o último post, eu encontrei algo que pode vir a ser interessante: O Gobby.
Ele é, de acordo com seu site, "um editor de texto colaborativo grátis". O que isso quer dizer? Que apesar de ter sido criado para a criação de programas de computador, ele permite a escrita de uma história à quatro, seis, oito, ou 2n mãos via internet, assim como o Felipão e o Terra fizeram no papel - contando com vários recursos que ajudam na tarefa e até um chat privado para os escritores.

Eu ainda não usei o programa mas parece interessante. Alguém quer se disponibiliza a tentar comigo?

terça-feira, abril 03, 2007

Eis, então...

O texto a seguir foi escrito à quatro mãos, por mim e pelo Terra.

Surgiu como uma introdução a um filme que o Terra fez, e foi narrado por este aqui que vos fala. Claro, sem as imagens, trilha sonora e sequência que o contextualizam, ele fica um pouco deslocado. Some a isso a dificuldade de se escrever em par e a língua diferente, e descobriremos porque essas poucas linhas foram tão suadas.

Que sirva, então, como dois convites: um para assistir ao filme e outro para mandarem alguns textos para cá.


--------- ++ ---------


Vine caminando por la calle de la memória en búsqueda de mi tierra, de mi pueblo, yo y tantos otros.

La contradicción camina veloz por el flujo de la ciudad; voy hasta su alcance, tentando esclarescer mi identidad latinoamericana.

Me lanzo en ese río denso, y soy arrastrado por su corriente blanda.

Nado rumbo a la margen en búsqueda de aliento, de la pausa.

Perdí mi identidad en el rio.
No quiero más ser extranjero.

Tengo una tarde en San Pablo. Pero creo que como la mayoría de las ciudades de mi América, existem dos San Pablos.

Un amigo me indicó un templo en reforma...



--------- ++ ---------

Retomar...

... a idéia inicial dessa porra.

Bora aí trocar uns textos?