domingo, agosto 05, 2007

(Possivelmente a bola 1)

Folha branca

Disco Virgem

Livro morto na prateleira

Porém não quero referir-me a tudo em processo de depuração

O plástico

O petróleo

E antes disso os dinossauros.

Falo da angustia das pautas sedentas à falta de uma clave de sol.

Busco uma rima que me alegre

Uma falsa solução

Satisfação volátil

Ejaculação impressa.

Por favor!

Pronta e impressa.

Quero gostar de algo até que me canse

Desgoste.

Até que eu possa esquecer,

Até que eu possa lembrar mais tarde como se lembra de uma piada

Antiga,

Desgastada

Enfim esquecida

E daí então aprimorada na medida em que se tornou saudosista.

Darei três voltas ao mundo e não poderei me estabelecer em lugar nenhum.

Novamente procurarei o novo

As mesmas cidades me cansam

São asas já caídas.

São matéria em decomposição naquela floresta de árvores secas da memória.

E ainda que o sejam não deixarei de exaltá-las.

Pronunciarei sobre o que já se andou,

Por mim e por outros,

Mesmo que andar já tenha perdido totalmente o sentido.

Depois de tanta busca não se pode parar de andar.

Eu sei que já estou morto.

Só ando por ai para confundir o povo todo,

Para alertar-lhes de um por vir.

Um dia partirei em sono tranquilo.

Uma boa amiga dirá serena,

Olhe! Ele morreu,

Aliviada, pois ela também já deu três voltas ao mundo.