domingo, fevereiro 24, 2008

Da varanda tinha uma visão calma

Cantavam os pássaros à chuva já derrubada

E o verde das plantas estava mais escuro

Assim como os telhados das casinhas.

Umidecida, a imagem do mundo mudava de cor.


Meus déspotas depostos tomavam chá comigo lá pelas cinco horas.


Discutíamos algo belo

Compreendemos qualquer coisa boba

Lembramos que o rei e a terra são um só


O homem é mais do que um homem

É menos do que um homem


Alguém se exaltou na mesa discutindo a bibliografia a que se referia um outro


Os déspotas de meus déspotas organizavam uma revolução

Com sorte a manteiga derretida tomando forma nova nos entreteve

Sua beleza amarela e clarinha

Os farelos das torradas

A marcha de formigas...


Depostos os déspotas de meus déspotas depostos uma sensação estranha ao peito

A respiração numa falsa calma

A chuva caia novamente e ao fim desta já seria noite

Eu me questionava quanto às tendências políticas de meu estado de espírito.

1 Comments:

Blogger rayuela said...

"Eu me questionava quanto às tendências políticas de meu estado de espírito."

Ultimamente eu ando querendo depôr é esse déspota do meu cérebro, que me faz questionamentos assim.

12:14 AM  

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