Da varanda tinha uma visão calma
Cantavam os pássaros à chuva já derrubada
E o verde das plantas estava mais escuro
Assim como os telhados das casinhas.
Umidecida, a imagem do mundo mudava de cor.
Meus déspotas depostos tomavam chá comigo lá pelas cinco horas.
Discutíamos algo belo
Compreendemos qualquer coisa boba
Lembramos que o rei e a terra são um só
O homem é mais do que um homem
É menos do que um homem
Alguém se exaltou na mesa discutindo a bibliografia a que se referia um outro
Os déspotas de meus déspotas organizavam uma revolução
Com sorte a manteiga derretida tomando forma nova nos entreteve
Sua beleza amarela e clarinha
Os farelos das torradas
A marcha de formigas...
Depostos os déspotas de meus déspotas depostos uma sensação estranha ao peito
A respiração numa falsa calma
A chuva caia novamente e ao fim desta já seria noite
Eu me questionava quanto às tendências políticas de meu estado de espírito.
