segunda-feira, novembro 26, 2007

Poema

Minha dor o que te vale?
Vontade louca de perdoar,
Urrar, abafar, suar.
Um escudo para atravessar,
Existe? Não, é chão desconhecido.
O Medo é barreira,
Barro que atola. Amola,
Pego a faca, lapido-me.
Arranco tecido morto,
De nada me vale o porto.
Quantas marés passaram por aí?

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Poema de Dandan Birolli

sábado, novembro 03, 2007

Poema

Corre pelas veias
O selvagem, o indomável; vermelho...
Trança em suas teias
Imagens que aos poucos tornam-se um espelho...
Respira com todo o corpo
Tragando, nutrindo; desespero...
Está curvando-se para a esquerda de novo
Queimando-se ao sol e isolando-se por inteiro...

Caminha pelos morros
Anda apressado por cidades, escala paredões...
Flutua em águas escuras e lodo
Resmungando e tropeçando em busca de explicações...
Ameaça os céus, roga pragas; o troco!
Destila e defuma com voracidade e razões...
Está curvando-se para a esquerda de novo
Sem conseguir dormir e perdido em complicações...

Cuida para não se perder
Quando o limiar do sono o suga para o infinito...
Defende-se de si mesmo como pode se defender,
Com um incomensurável medo de que perca seu brilho...
Algumas vezes é destruído por dores no pescoço
Ironicamente e justamente quando tenta dormir...
Está curvando-se para a esquerda de novo
O tempo talvez torne-o apto a cada vez menos sentir...


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Poema do Caião Moretti